On Urb

Um mundo à parte… Decoração!

14 14UTC Maio 14UTC 2009 · Deixe um Comentário

ikea

No processo de aquisição de um imóvel, no meu caso um apartamento ainda em construção, tornamo-nos maníacos da decoração. Uns verdadeiros especialistas em cores, formas, materiais, electrodomésticos, o que é in o que é out, o que é viável e o que é um suicídio económico e, claro, os locais de compra e respectivas marcas.
Nesta incessante procura (que por vezes chega a ser doentia) pelo objecto perfeito que encaixe naquele local não tão perfeito, um ponto de paragem obrigatório era o IKEA. Num belo sábado a tarde, e cheio de expectativa deste tão falado local, lá fui eu, a minha namorada e o meu padrasto em direcção ao norte para procurar alguns artefactos para o recém adquirido imóvel.

Sou sincero quando digo que nunca tinha ido a uma superfície destas (homem que é homem sabe onde é a FNAC ou a WORTEN)… mas à aventureiro lá me meti eu nestas andanças, até porque é do meu interesse ter uma casa minimamente bem decorada.

Para não em alongar muito, “bonito serviço” pensei eu… aquilo é um labirinto cheio de muitas “coisinhas giras” mas, verdade seja dita, quando pensamos que uma secção vai acabar .. logo começa outra (e isto dura durante 2horas se formos em ritmo de caminhada desportiva)… Produtos para todos os gostos com etiquetas a indicar o local de “carga”… nomes interessantes – realmente eu tinha-me perguntado “que raio é isto?” – a resposta veio rapidamente “Perna regulável BESTA”…disponível em:http://www.ikea.com/pt/pt/catalog/products/80134190

A verdade é que duas horas, 3 cm a mais de perna e 3 velas aromáticas depois… lá encontrei a caixa (sim, porque a única hipótese de saída é mesmo depois de correr tudo – there is no turning back!)…

Aviso à navegação a quem como eu nunca visitou este espaço, antes de pagarem vejam se tem mesmo tudo…

Por coincidência recebi num mail um texto de Ricardo Araújo Pereira que realça outros pontos muito interessantes:


O IKEA vende pilhas de tábuas e molhos de parafusos que, se tudo correr bem e Deus ajudar, depois de algum esforço hão-de transformar-se em móveis baratos. É uma espécie de Lego para adultos. Não digo que os móveis do IKEA não sejam baratos. O que digo é que não são móveis. Na altura em que os compramos, são um puzzle. A questão, portanto, é saber se o IKEA vende móveis baratos ou puzzles caros.
Há dias, comprei no IKEA um móvel chamado Besta. Achei que combinava bem com a minha personalidade. Todo o material de que eu precisava e que tinha de levar até à caixa de pagamento pesava seiscentos quilos. Percebi melhor o nome do móvel. É preciso vir ao IKEA com uma besta de carga para carregar a tralha toda até à registadora. Este é um dos meus conselhos aos clientes do IKEA: não vá para lá sem duas ou três mulas. Eu alombei com a meia tonelada. O que poupei nos móveis, gastei no ortopedista. Neste momento, tenho doze estantes e três hérnias.
É claro que há aspectos positivos: as tábuas já vêm cortadas, o que é melhor do que nada. O IKEA não obriga os clientes a irem para a floresta cortar as árvores, embora por vezes se sinta que não faltará muito para que isso aconteça. Num futuro próximo, é possível que, ao comprar um móvel, o cliente receba um machado, um serrote e um mapa de determinado bosque na Suécia onde o IKEA tem dois ou três carvalhos debaixo de olho que considera terem potencial para se transformarem numa mesa-de-cabeceira engraçada.
Por outro lado, há problemas de solução difícil. Os móveis que comprei chegaram a casa em duas vezes. A equipa que trouxe a primeira parte já não estava lá para montar a segunda, e a equipa que trouxe a segunda recusou-se a mexer no trabalho que tinha sido iniciado pela primeira. Resultado: o cliente pagou dois transportes e duas montagens e ficou com um móvel incompleto. Se fosse um cliente qualquer, eu não me importaria. Mas como sou eu, aborrece–me um bocadinho. Numa loja que vende tudo às peças (que, por acaso, até encaixam bem umas nas outras) acaba por ser irónico que o serviço de transporte não encaixe bem no serviço de montagem. Idiossincrasias do comércio moderno.
Que fazer, então? Cada cliente terá o seu modo de reagir. O meu é este: para a próxima, pago com um cheque todo cortado aos bocadinhos e junto um rolo de fita gomada e um livro de instruções. Entrego metade dos confetti num dia e a outra metade no outro.
E os suecos que montem tudo, se quiserem receber.

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